O Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, costuma ser lembrado como uma data afetiva. Mas por trás do carinho existe um fenômeno que interessa diretamente à neurociência: o convívio entre gerações pode funcionar como um estímulo cognitivo bidirecional; bom para o cérebro que está amadurecendo e para o cérebro que está envelhecendo.
O que os estudos mostram sobre os avós
Cuidar de netos ou manter contato frequente com eles tem sido associado, em diversas pesquisas, a benefícios cognitivos e emocionais para os avós. Um estudo com mais de 7 mil adultos de meia-idade e idosos na China, usando dados do China Health and Retirement Longitudinal Study, investigou a relação entre cuidar de netos e função cognitiva, sugerindo que esse cuidado pode gerar exigência cognitiva e social positiva, ajudando a retardar o declínio cognitivo, sobretudo entre avós que cuidam com frequência moderada.
Outro estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Pequim, comparou idosos que cuidavam dos netos com os que não cuidavam e encontrou, tanto na análise transversal quanto no acompanhamento longitudinal, melhor saúde física e mental e funções cognitivas mais preservadas no grupo cuidador. Os pesquisadores identificaram que parte desse benefício era explicada pela redução da solidão proporcionada pelo convívio com os netos.
E o que esse vínculo faz pela criança?
Do lado das crianças, o contato com avós é associado a ganhos afetivos, cognitivos e de identidade familiar. Pesquisadores descrevem os avós como fonte de suporte social, de história familiar e de desenvolvimento de identidade para os netos, além dos benefícios emocionais mútuos gerados por essa troca de afeto.
Um projeto de pesquisa europeu, o GRANDPACT, testou programas intergeracionais estruturados combinando atividade física e desafio cognitivo entre avós e netos, partindo da premissa de que tanto crianças quanto idosos se beneficiam de atividades fisicamente ativas e cognitivamente desafiadoras, e que fazer isso em conjunto, entre gerações, potencializa o engajamento e a adesão de ambos os grupos.
Como transformar essa data em estímulo real (e não só em afeto)
Com base nessas evidências, algumas atividades tendem a gerar mais benefício cognitivo mútuo do que apenas o encontro passivo:
- Compartilhar histórias e fotos antigas. Pesquisas em andamento têm testado o efeito de compartilhar memórias e fotografias entre avós e netos como forma de fortalecer o vínculo relacional e estimular a memória autobiográfica do idoso.
- Fazer atividades físicas leves em conjunto. Caminhadas, jogos de tabuleiro com deslocamento ou dança combinam estímulo cognitivo e motor, o tipo de atividade que a literatura associa a ganhos de neuroplasticidade em ambas as idades.
- Ensinar algo de forma recíproca. Pedir para o avô ou avó ensinar uma habilidade (uma receita, um jogo, um ofício) e, em outro momento, deixar o neto ensinar algo (um aplicativo, um jogo novo) cria troca ativa, não unidirecional.
- Respeitar o limite de cada avô ou avó. Convívio prazeroso protege; sobrecarga de cuidado, sem suporte, pode ter efeito oposto.
O papel de um estímulo estruturado nesse convívio
Esse é exatamente o tipo de evidência que orienta o Modelo Longevidade do Método Super Cérebro, voltado ao público 45+: o material foi desenvolvido para ativação de memória e treino das funções cognitivas, mas também para o desenvolvimento socioemocional, partindo da premissa de que aprendizado contínuo e conexão social caminham juntos em qualquer fase da vida. Os jogos de tabuleiro utilizados pelo método, por exemplo, funcionam bem como ponte entre gerações: exigem raciocínio estratégico e tomada de decisão dos avós e, ao mesmo tempo, comunicação e colaboração dos netos, reunindo, numa mesma atividade, o tipo de engajamento ativo e prazeroso que a pesquisa associa a benefício real, e não a sobrecarga.
Uma data para lembrar que o cérebro se beneficia da conexão, em qualquer idade
O Dia dos Avós é uma boa oportunidade para lembrar que estímulo cognitivo não vem só de exercícios formais de memória ou de escola,ele também nasce da qualidade dos vínculos que mantemos ao longo da vida, em qualquer fase do desenvolvimento cerebral.
